domingo, 11 de setembro de 2011

Só você, Maria Poeta...

estou postando como texto o comentário do vladinei no escrito o desacontecimento das coisas, para que aqueles que não costumam ler os comentários, possam apreciar a grandeza desses e de tantos outros que "estavam dando problema" no espaço em que trabalhavam (talvez, esperam que, tendo atitudes rasteiras e sorrateiras contra os trabalhadores, possam fazer-lhes deixar de "dar problemas" (para os desavisados, onde se lê "problemas", leia-se "problematização, capacidade crítica, protagonismo, grandeza humana, etc").
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O atropelamento é sempre um evento traumático e doloroso. Apesar disso, a sua postagem é inspiradora, representa certo alento em um momento tão difícil. Permite-nos ver que do solo esmagado também brotam flores.
Porém, esta questão do atropelamento é controversa. Já ouvi dizer que houve negligência por parte do pessoal atropelado, insinuando excesso de valentia ou pirraça. Imagina só, serem atropelados por um rolo compressor, só querendo muito! Por outro lado, há quem diga que houve flagrante desrespeito aos pressupostos básicos do trânsito, que o motorista teria conseguido a habilitação como prêmio em uma ação entre amigos, ou qualquer coisa parecida, não sei direito. O certo é que a condução de um veículo tão pesado exige zelo redobrado, assim como a condução de uma política pública. São tarefas que implicam responsabilidade e acima de tudo uma postura ética frente ao espaço coletivo. Este é um pressuposto ao qual não se pode declinar. Do contrário, iremos em direção à barbárie, e o trânsito, que é um espaço público, vai se confundir com o espaço privado. Neste cenário, obviamente, os rolos compressores e assemelhados levam vantagem.
É claro que a caminhada continua. Isto é verdade porque, como diria minha grande amiga Carine, caímos sempre em pé, como gatos. O tempo que vivemos é um tempo necessário. Só isso. Os ideais e as convicções permanecem inabaladas, sólidas, enquanto horizonte a ser perseguido, sem pressa, com a serenidade e a firmeza que orienta os nossos passos a cada dia, na certeza de que não são somente as cicatrizes de batalha o que nos resta. Você e tantas outras pessoas com anos de trajetória no serviço público, colegas de valor, são prova viva disso.
Este é um debate antigo e não tem dono. O que vínhamos defendendo era a idéia de um debate franco e transparente, envolvendo a comunidade e as instâncias de controle social, buscando materialidade à fanfarra ideológica. Para isso acontecer precisam cair as máscaras da bondade e da excelência, para podermos perceber o que tem por detrás dos títulos e insígnias apresentadas como referência. A nossa miséria, só isso. Nessa hora, me vem a imagem do castelo de cristal, que se coloca como metáfora interessante, independente da perspectiva.
Desse modo, trago um fragmento de escrito com o qual me deparei recentemente. Este fragmento coloca-se como contribuição singela ao hemocentro:
“Credes no palácio de cristal, indestrutível, para a eternidade, ao qual não se poderá mostrar a língua, nem os punhos às escondidas. Pois bem! Eu, se desconfio do palácio de cristal, é talvez justamente porque é de cristal e indestrutível e porque não se poderá lhe mostrar a língua, mesmo às escondidas.
Vede: se em lugar de um palácio eu só dispuser de um galinheiro, quando chover, eu me insinuarei talvez no galinheiro, para fugir à chuva, mas, ficando-lhe embora muito agradecido por ter-me preservado, não tomarei meu galinheiro por um palácio. Ridez, dizeis-me que, em semelhante caso, palácio e galinheiro se equivalem. Sim, responderei, se se vivesse apenas para não estar molhado.
Mas que fazer, se se me meteu na cabeça que não se vive somente para isso e que, se se vive, é num palácio que é preciso se instalar? Isso é a minha vontade, isso é o meu desejo. Vós não conseguireis me arrancar essa vontade senão quando tiverdes modificado meus desejos. Pois bem! Modificai-os, apresentai-me outro fim, oferecei-me um outro ideal! Mas, enquanto espero, recuso-me a tomar um galinheiro por um palácio de cristal. É possível que o palácio de cristal não seja senão um mito, que as leis da natureza não o admitam e que eu o tenha inventado por tolice, impelido por certos hábitos irracionais da nossa geração. Mas que me importa que ele seja inadmissível? Que me importa, pois que ele existe nos meus desejos, ou, para dizer melhor, pois que existe tanto quanto existem meus desejos? Continuais a rir, penso. Ride tanto quanto vos agrade! Aceitarei todas as zombarias, mas recusar-me-ei a me declarar saciado, quando ainda tenho fome; não me contentarei com um compromisso, com um zero se renovando indefinidamente, pela única razão de que está conforme as leis da natureza...
Não me digais que eu mesmo renunciei cedo ao palácio de cristal pelo único motivo de não lhe poder mostrar a língua. Se eu falei assim, não é que eu goste de mostrar a língua. Acontece porém que, e é isto precisamente o que me irrita, de todos os vossos edifícios, não há um ao qual não se possa mostrar a língua. Ao contrário, eu faria cortar minha língua, por gratidão, se se arranjassem as coisas de tal maneira que eu não tivesse mais desejo de mostrá-la”.
Memórias do subsolo - Dostoiévski
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postarei, ainda, dois comentários do amigo, colega e parceiro de conversa, Gustavo Costa Moraes, que também demonstram, como muitos outros comentários, a grandeza dos trabalhadores públicos de nossa comunidade! com isso, quero lembrar, também, os inúmeros colegas que têm nos procurado para dizer que as palavras que vêm sendo ditas por aqui, representam aquilo que eles gostariam de dizer, mas que temem fazê-lo, por medo!
COMENTÁRIO 1: Boa tarde e com licença, não resiste e vim trazer o meu manifesto a despeito de tamanho desrespeito com servidores PÚBLICO DE "CARREIRA" que executam suas atribuições técnicas calcadas na ética e no respeito da "coisa pública', até quando nós trabalhadores públicos teremos que engolir "pseudo gestores" que brincam de "casinha" com o que é público, fico revoltado com a falta de capacidade de um gestor em mediar um processo tão bonito que são as políticas públicas. e o mais interessante é que esses pseudos-gestores, são sujeitos totalmente neófitos quanto suas atribuições, e o pior, se sustentam nesses ambientes mediante relações de poder extremamente "perverso", denotando em uma sintamatologia ressentida e regada numa moral "platônica crista", aonde as verdades de excessão povoam as "pólis" de gestão. Até quando nós servidores públicos de carreira teremos que respirar a toxidade desses gestores "temporários", até quando seremos obrigados a inalar esses sujeitos fedidos!, até quando teremos que engolir a arbitrariedade que cometem no que é público, fico assustado o tamanho despreparo desses pseudos gestores que brincam de casinha, sou servidor concursado da rede de educação pública municipal a quase dez anos e nunca tinha visto tamanha barbaridade cometida por um gestor e olha que já passaram muitas "joinhas" em nossas secretarias, não quero cometer nenhuma indelicadeza e também sei que comparações só reforçam uma moral maniqueísta, porém, agradeço por ter uma gestora competente, ética e inteligente como a nossa secretária de educação Estela, talvez os pseudo-gestores devessem se referenciar a esse sujeito que nós na educação como servidores admiramos tanto!, ESTELA ainda bem que vc é a nossa secretaria, pois se fosse outra secretária estariamos "fudidos' e remanejados para qualquer outro lugar que não fosse construido.
Me chamo Gustavo Costa Moraes servidor público de carreira e não tenho medo de exercer minha cidadania e nobres colegas servidores também não tenham medo de expressar o que é nosso de direito.
COMENTÁRIO 2: Boa noite e com licença, querida amiga Maria Luiza, gostaria novamente de aproveitar este espaço democrático para expressar uma dialética profícua sobre estes absurdos cometidos em secratarias do nosso município. vou utilizar uma escrita do filósofo Bogdan Suchodolski para expressar como observo este cenário surreal visto em uma determinada secretaria gerida por uma pseudo gestora:"a alienação capitalista degenera completamente o homem, degenera-o no sentido de que se anulam nele mesmo as qualidades realmente humanas,ao mesmo tempo em que despertam e se desenvolvem no ente humano qualidades alheias(p.98)"

Gostaria também de resaltar a relação de mercadorias, escreve Marx, "que aqui assume, aos olhos dos homens,a forma fantasmagórica de uma relação entre objetos materiais, não é mais que uma relação social concreta estabelecida entre os homens. Por isso, se quermos encontrar uma analogia a este fenômeno, teremos que montar-nós às regiões nebulosas do mundo das instituições, onde os produtos da mente humana são como seres dotados de vida própria, de existência independente, e relacionados entre si e com os homens. Assim acontece no mundo das mercadorias com os produtos feitos pelas mãos do homem.
Gostaria de prolongar minhas referências teóricas agora para Paulo Freire, creio que a pedagogia do oprimido caberia como uma luva neste momento, quanto ainda teremos que conviver com os "opressores", será que ainda há espaço para sujeitos com estas caractéristicas?, talvez sim, não quero idealizar uma realidade não humana, eles existiram sim, talvez pelo fato de como sugeriu Paulo Freire:" quando mais opressor for o sujeito mais oprimido ele é" quem será que oprime os nossos gestores?, vamos criar hipóteses: suas vaidades de poder?, sua burrice?, as bandeiras ideológicas que defendem?, o capitalismo de mercado em que se afundam?, talvez todos, não sei, são divagações... toda via esses sujeitos são ocos e aderidos.. NÃO VAMOS LEGITIMAR ESSA POSTURA BENIGNA DESTES PSEUDO-GESTORES...

4 comentários:

  1. Amiga....
    Sinto não poder estar aí, lutando junto com vcs...
    não desanimem, pois esses CC zinhos...passam logo...mas vcs colegas, continuam na luta por condições melhores...
    PARABÉNS, estou orgulhosa por saber que temos colegas como vcs...que acreditam na política Pública e que não se abatem e não se rebaixam pra ninguém...
    Muita Força pra vcs...pois isso vai passar logo...e essa falta de respeito com os profissionais deve ser punida!!!!
    BJS.........deixa meu recado pro Vladi também...

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  2. Parabéns pela posiçao e coragem tbm sofro alguns boicotes mas bato de frente não tenho medo vamos a luta.. bjs

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  3. Gustavo Costa Moraes14 de setembro de 2011 16:07

    Boa tarde e com licença, Maria Luiza, nossa!! obrigado, sinto-me lisonjeado pelo espaço recebido por você!. Você nossa poeta, você nossa sábia, você nossa amiga, você um ser humano que consegue olhar com olhos de subjetivação, tenho tanta admiração por você!que qualquer adjacência escrita ou falada não definirá O SUJEITO PROFUNDO QUE ÉS!, Deleuze tinha profunda admiração por Foucault e por isso designava Foucault como portador de charme sem igual, por sua capacidade em perceber a subjetividade do outro. Maria Luiza acredito que você possua o mesmo encantamento que Foucault causava e ainda causa sobre nós, e por isso gostaria de me atraver a escrever uma poesia de Vinicius de Moraes.

    A Rosa de Hiroxima..

    Pensem nas crianças
    Mudas telepáticas
    Pensem nas meninas
    Cegas inexatas
    Pensem nas mulheres
    Rotas alteradas
    Pensem nas feridas
    Como rosas cálidas
    Mas oh não se esqueçam
    Da rosa da rosa
    Da rosa de Hiroxima
    A rosa hereditária
    A rosa radioativa
    Estúpida e inválida
    A rosa com cirrose
    A anti-rosa atômica
    Sem cor sem perfume
    Sem rosa sem nada.

    Maria Luiza, obrigado e vamos todos pensar sobre a Rosa de Hiroxima, pode parecer que não tenha nada haver com o que defendemos, porém, se pensarmos de outras maneiras, talvez seja a Rosa de Hiroxima que seja a peça de analise por nestes momentos de conflito
    o meu novo endereço é la_merca@hotmail.com
    Um abração minha nobre amiga

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  4. gustavo, amigo querido!
    é muita generosidade sua! inda mais me comparando a foucault, o que me enche de orgulho!
    grata pela lembrança dessas duas poesias-problematização (a deste e a de outro comentário!).
    creio que não podemos esquecer que a guerra e a rosa de hiroshima foram plantadas por seres radioativados! talvez possamos nos livrar da rosa que foi produzida, mas ainda assim, os seres radioativos prosseguirão a guerra!
    para lembrar foucault, deleuze e guattari, é no micro que devemos focar nossa atenção! as grandes revoluções não existem... os movimentos no micro e não no macro, é que fazem a vida acontecer!
    abraço grande, com carinho!

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