sexta-feira, 30 de setembro de 2011

para fazer morrer!


Surgistes em meio 
às palavras rotas do apocalipse
(rotas e atuais).
Corcunda,
entrevada pela não-vida, 
rastejavas.
Incólume à qualquer sinal de vida 
que se aproximasse de teu opaco existir, 
flutuavas em torno da órbita estéril 
de tua própria loucura.
Adornada de morte, 
dançavas a dança paralisada 
dos não-quereres, dos não-desejos.
Rasa, putrefata, incolor, inodora, estéril, 
transitavas entre-a-morte-e-o-fazer-morrer.
Recitavas poesias 
que copiavas dos poetas 
e colavas em tua lápide.
Carregavas flores e as distribuías.
Não sabias tu, 
que as flores que portavas, 
eram as mesmas que enfeitavam teu túmulo.
(Eram de plástico) as flores que nos entregavas.
Do mesmo plástico cravado em teu coração 
necrosado por tua existência sem oxigênio.
Calamo-nos, em respeito às flores (de plástico)
Quando até elas, em tua mão, murcharam.
Então fomos ver que, 
antes de serem plástico, 
elas foram vivas.
Fugimos, 
diante da revelação apocalíptica, 
do que tuas mãos podem fazer 
com os corpos e com as gentes, 
visto que assim 
também o fazes com as flores.

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