quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

divulgação: flecheira libertária. 192

jovens e o governo
Em Bruxelas, na Bélgica, milhares de jovens saem às ruas para ferver e fritar na denominada revolução da batata frita. O motivo da insatisfação e dos protestos são 249 dias sem a formação de um governo de coalizão no parlamento belga. Isso mesmo! Os manifestantes protestavam contra a falta de governo! Um deles declarou: "Já estamos cheios de tantos jogos políticos. Precisamos de um governo rápido, e de uma reforma de nossas instituições, que será benéfica para todos os belgas". Para marcar seu protesto 249 jovens tiraram a roupa (claro que menos as cuecas e as calcinhas) para lembrar os dias sem governo. Sem governo, não estão nus, porém pudicos.
ainda as multidões ocas...
Ao mesmo tempo em que belgas, quase nus, mas enrolados na bandeira do país, fizeram manifestações engraçadinhas, as multidões na Tunísia e no Egito voltaram para casa, satisfeitas com as promessas de democratização. Então, foi a vez de protestos se espalharem pelo Iêmen, Líbia e Bahrein. Os acontecimentos se parecem aos egípcios e tunisianos: ditaduras ou monarquias estabelecidas há muitas décadas enfrentam, com o exército, manifestantes que pedem mais democracia. Batalhas nas ruas, mortos, prisões e um desfecho ainda por vir: será a mesma acomodação articulada no Cairo e em Túnis? Onde estará Gadaffi, na Venezuela?
uma notícia...
A circulação é livre para aqueles que andam na linha, podem pagar pelo transporte público e não interferem no trânsito das coisas. Na semana passada, um grande grupo de jovens tomou a entrada da prefeitura de São Paulo para protestar contra os abusivos aumentos dos ônibus na cidade. O ato insubordinado irritou de pronto os mantenedores da ordem e, com violência, um grupo truculento de policiais dispersou a manifestação investindo com cassetetes, bombas e tiros de borracha, tudo para manter a boa e coerente circulação do estado das coisas.
jovens e a polícia
Há em São Paulo e outras capitais do país um movimento pelo passe livre ou pela redução da tarifa de ônibus. O intolerável, nessa semana, foi a polícia espancando os jovens durante a manifestação que acontecia no centro da cidade. No entanto, é preciso alertar que há mais impedimentos para circulação pela cidade do que apenas o preço da passagem. Mais que isso, há muito investimento atrativo para imobilização espacial, especialmente nas periferias e em áreas demarcadas do chamado centro velho. O que querem esses jovens preocupados com o serviço de administração estatal dos transportes, comandados por partidos de oposição com vistas à próxima eleição? A polícia, cotidianamente, segue batendo e matando, no centro e na periferia. Será que estes jovens notam isso? A política faz de cada cidadão um policial de si, dos chamados serviços públicos e dos excessos administrados no campo. Eis o reino da necessidade!
revolução e democracia
A democracia contemporânea para alguns, parece estar composta por Internet, celular smart phone, sanduíche e batata frita. Revolução, agora, parece designar a maneira pela qual se ajusta uma vida melhor para isso. Revolta? Nem pensar. Só pressão para negociar. O Brasil, pioneiro, já teve seus oito anos de sindicalista no governo: um primor da negociação e da mudança para melhor agradar a burguesia. No Oriente Médio a Internet, segundo uma das lideranças do movimento egípcio, é apenas uma ferramenta que depende da vontade política democrática. Mas este é o princípio de funcionamento da ferramenta!

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