segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

alheias poetagens

Viver era um equivoco./ o medo tinha forma obscura e pouca luz./ talvez por isso/ ele era estranho com as portas./ gostava mesmo era de andar na noite/ sempre com a lua debaixo do braço./ no bolso, três estrelas/ ainda frescas pelo fim da tarde/ e uma flor amassada/ entre os dedos de ontem./ a noite tinha coisas esquisitas/ como aquele homem que diziam/ virava bicho/ o que uivava/ o que colhia lâmpadas/ e garimpava o lixo./ o que virava chuva/ mais tarde tempestade./ o que matava moscas./ o que era vidro/ no que tinha medo de copos./ o devorador de palavras/ o de navalha no bolso/ junto do outro na dúvida./ o que lia os olhos/ como se fosse o mago/ o magro que mostrava os ossos/ o velho que virava mocó/ quando falava/ o que não falava nada e ria/ o que vendia flor na carne/ o que vendia bíblia./ o imóvel./ o que movia a mobília/ para que a manhã fosse outra./ o que pescava/ caranguejo e ostras. E o mar mudo/ era um menino/ observando o tempo/ a areia/ e os homens (Emmanuel Marinho).

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