quarta-feira, 9 de novembro de 2011

hypomnemata 138 - loucuras e transtornos


 Boletim eletrônico mensal
 do Nu-Sol - Núcleo de Sociabilidade Libertária 
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP
no. 138, outubro de 2011
loucuras e transtornos
Em 1º outubro de 1970, próximo ao rio Paraná, em Rubinéia-São Paulo, o profeta e benzedor Aparecido Galdino orava com seu grupo de 12 homens e duas mulheres, esperando o Exército Nacional se juntar a eles contra a construção da barragem de Ilha Solteira que inundaria o município. O Exército veio, mas amarrou e espancou os “revoltosos”, desfilou com os detidos pela rua principal da cidadezinha para dar um exemplo, antes de levá-los para a prisão. A barragem e a hidrelétrica eram um dos projetos de ponta da ditadura civil-militar. Galdino foi enquadrado na lei de Segurança Nacional e encaminhado ao Manicômio Judiciário do Juqueri (SP), onde ficou até finalmente ser solto em 1979.
 “Pelo exposto, podemos verificar que o examinando apresenta distúrbios do conteúdo do pensamento - ideias delirantes de cunho místico, grandeza. [...] Podemos concluir que Galdino apresenta um quadro esquizofrênico-paranóide, necessitando de tratamento, devendo pois permanecer manicomiado, para sua própria segurança e da sociedade”. – laudo de 1972, sobre Aparecido Galdino.
 “Do exposto, somos de parecer que o examinado continua doente, todavia se beneficiou com o tratamento instituído. Porém, sua periculosidade se encontra a nível superior a de um doente mental, portanto, devendo permanecer frenocomiado - para segurança da coletividade”.- laudo de 1974, sobre Aparecido Galdino . 
Loucura: palavras exacerbadas,
ditas aquém ou além, mas nunca no ponto modelar;
gestos e ações para além ou aquém
  da formulação de uma razoável verdade.

 Frase encontrada em um prontuário do Manicômio Judiciário do Juqueri (SP), sobre o comportamento de um interno durante um “exame psíquico”: “Tem íntima atenção ao diálogo, mas repentinamente, tem o olhar lateralizado.”
Um olhar de fuga. Reflexo muscular de buscar uma fissura na parede por onde correr para nunca mais. A loucura autoriza o louco que a incorpora.
Olhar de um louco. Loucura como um nome para um impulso em direção à liberdade? Ou impulso para um simples outro lado do que insiste em ser verdade em uma sala onde transcorre um “exame psíquico”?
Ou ambos?
Os poetas Waly Salomão e Torquato Neto inventaram, em 1972, em plena barra pesada da ditadura civil-militar no Brasil, a revista Navilouca. Tempo da loucura solta! Loucura como reverso do internamento e da obsessão militar pela sua ordem para o progresso burguês.
A publicação foi um dos últimos projetos de Waly antes de ser encarcerado e torturado no Quarto Distrito de polícia do centro de São Paulo.
Contra todas as adversidades, Sailormoon, o marujeiro da lua, apelido de Waly, reuniu forças para finalmente lançar a revista em 1974. Torquato Neto já havia dado cabo da própria vida.
 Torquato Neto, poeta tropicalista, autor de canções como “Mamãe Coragem”, “Geleia Geral”, “Pra dizer Adeus”, ator de filmes em super-8 como Nosferato no Brasil, esteve inúmeras vezes internado em hospitais psiquiátricos. Houve um tempo em que ele acreditou na psiquiatria!
No rescaldo de suas temporadas internado em Teresina e no Rio de Janeiro, explicitou sua ojeriza à psiquiatria. Na coluna “Geleia Geral”, no jornal carioca Última Hora, escreveu para além de música, teatro e cinema, sobre Antonin Artaud e David Cooper.
Novembro de 1971: faz um ano que me dizia no hospício: isso aqui não pode ser um refúgio, e foi assim que eu saí por aí, foi por isso. Abaixo os meus refúgios, chega... Abaixo a psiquiatria dos salões e dos hospícios. A psiquiatria é repressiva...
Em outra edição do jornal soltou sua verve para contar certas histórias ubíquas como a que um médico pede a um poeta para que leia seus poemas.
Esse outro grande amigo meu levou os poemas para o médico julgar. O médico achou a linguagem ‘totalmente fragmentada’ e, para que ele voltasse a escrever como muito antigamente se fazia, mandou interná-lo e impregnou sua célula nervosa.
Depois de assistir ao ocaso de publicações como A flor do Mal, editada por sua mulher Ana, o desaparecimento de amigos próximos, o exílio de tantos outros, as dificuldades de realização das invenções diante da censura, Torquato Neto decidiu também encerrar sua coluna no jornal. Seguiu escrevendo, como resistência, para não dar de comer aos urubus.
Internado, novamente, no Hospital Engenho de Dentro, em 1971, escreveu: Eles não deixam ninguém ficar em paz aqui dentro. São bestas. Não deixam a gente cortar a carne com faca mas dão gilete pra se fazer a barba.
Torquato Neto deu as costas aos que Augusto de Campos chamou de lite-ratos e à sua venda obcecada por um lugar ao sol. Deu as costas ao lugar, ao sol e aospsicanalhas de plantão. Suicídio!
 Trinta e seis anos após sua morte, próximo ao Engenho de Dentro, foi inaugurado um CAPS em homenagem a Torquato Neto, um tributo espúrio ofertado por amancebados da ordem.
Diante das maleabilidades atuais da Psiquiatria que fazem a medicina mental funcionar para além dos asilos é preciso retomar as palavras do poeta, resistindo com a vida, essa matéria fina.
— Onde estão as obras? Onde estão as obras?
— As obras, malandro, são a própria vida (que você sempre esquece de viver).
A loucura como doença mental cede a vez à loucura governada pela saúde mental por meio de programas governamentais e colaboração intensiva dos cidadãos.
(Afinal, quem não quer ser normal, não é mesmo?)
Loucura não mais como fase, estágio, confinamento da desrazão, imediato deslocamento das regras, inscrição corporal de ideias-fixas e repressões.
A loucura agora é parte da gestão, dos negócios, e tende a desaparecer... gradativamente, perdida em arquivos da memória histórica das instituições asilares e das mortes escancaradas de insuportáveis. A loucura a ser apagada do indivíduo anônimo que se metamorfoseia em personagem histórico para escapar do anonimato monstruoso das sociedades hierarquizadas e que se transforma em número de prontuário impessoal nos manicômios. A loucura imputada a subversivos que justifica a estupidez violenta do poder de Estado!
Novos tempos: o do indivíduo transtornado, todos nós.
A loucura como doença mental cede a vez aos transtornos governados.
Todos nós passíveis de medicações, atendimentos nos CAPS e no limite internados em manicômios, que permanecem e são defendidos por agentes da ordem, dentre os quais se inscreve o poeta de carreira.
Não mais loucura como doença mental de alguns sob o saber da internação para atestar uma possível cura. Agora, estamos todos arquivados em saúde mental como transtornados, passíveis às novas regras de normalização.
 Transtorno = loucura de normais.
loucura... ruído de linguagens. corpo recoberto de palavras, significantes e significados. gestos a serem traduzidos, classificados, identificados, decifrados.
sociedade de controle... as palavras navegam em fluxos velozes, curtas, monossilábicas, rápidas, instantâneas... palavras e imagens na mesma sintaxe.
todos falam. todos com direito à voz. livros e blogs e comentários sobre suas vidas e as vidas alheias. explicações, justificativas, etc. é o que se pede, o que se exige.
gramáticas completas, variadas, múltiplas, pipocadas. definindo os vários comos e porquês e seres... diversos. flexíveis gramáticas na mesma sintaxe.
o corpo solto, liberado de palavras, intraduzível é insuportável... loucura perigosa.
loucura solta... corpo que escapa às palavras, à gramática. indecifrável. insuportável.
Os mecanismos de controle rivalizam com os mais duros confinamentos.
Entre a Primavera dos povos (1848) e a Comuna de Paris (1871), construiu-se uma verdade formalizada na antropologia criminal de Cesare Lombroso: o anarquista é o monstro que reúne em um só corpo crime e loucura. Propenso à destruição e redimensionamento do povo sedicioso e antropofágico, ele expressa em atos e ideias essa anormalidade: nega a revolução como estágio evolutivo, o Estado como realização sublime da razão que organiza a sociedade e afirma suas propostas como revolta,insurreição e terrorismo.
A anarquia é a realização de práticas de liberdade que corroem o regime da propriedade, seja ela privada, estatal, mista ou imaterial; pequena ou grande. O anarquista participa do jogo da razão para solapar a própria razão. Não romantiza a loucura, nem a trancafia; não saúda a irracionalidade: esquiva-se e combate os seus efeitos como jogos de poderes e práticas de governos das condutas.
Anarquistas são loucos, birutas, malucos, libertários! Perturbam a ordem de transtornados ávidos de uma nova profilaxia social.

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto


4/11/2011 10:09,  Por Nina Crintzs - de Curitiba

"fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto"
Há seis anos eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.
Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.
Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.
O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.
O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.
A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.
O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.
O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.
Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.
Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.
Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.
Nina Crintzs é profissional independente na área de cinema.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Encontros Nacional e Estadual de Educação Permanente em Saúde

I Encontro Nacional de Educação Permanente em Saúde
III Encontro Estadual de Educação Permanente em saúde
PORTO ALEGRE 09 e10 DE NOVEMBRO DE 2011
 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Campus Central
PORTO ALEGRE 11 DE NOVEMBRO DE 2011
Escola de Saúde Pública - ESP/RS               


Horário

09 de Novembro
 Faculdade de Direito – Auditório
Tenda ANEPOP
 Faculdade de Educação – Sala 101



08h-08h30

ACOLHIDA e CREDENCIAMENTO





08h30

A
B
E
R
T
U
R
A

A Educação Permanente em Saúde e diálogos com a Gestão Participativa.

Luiz Odorico Monteiro de Andrade
Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa - Ministério da Saúde
Marcio Mariath Belloc
Diretor da Escola de Saúde Pública
Emerson Elias Merhy
Professor da Universidade Federal Fluminense
Lucia Inês Schaedler
Coord. do Núcleo de Educação e Saúde Coletiva - Escola de Saúde Pública
Coordenação: Jorge Senna



10h30

        T    
R    I
O   D
C   E
A    I
N   A
D   S
        O     



O Controle Social em Saúde “A Educação Permanente, diálogos com a  Extensão Popular em Saúde”.

Ricardo Burg Ceccim
Faculdade de Educação – EducaSaúde/UFRGS
Emanuel Falcão
Articulação Nacional de Extensão Popular
Simone Maria Leite
Articulação Nacional de Educação Popular e Práticas em Saúde
Coordenação: Juliana Tavares Ferreira



13h30







        T
R    I
O   D
C   E
A    I
N   A
D   S
        O    

A Educação para o SUS: Educação Popular, Redução de Danos e Humanização em Saúde (Faculdade de Direito – Auditório)
Marcio Villard
Educador Popular
Rose Mayer
Centro de Referência e Redução de Danos – Escola de Saúde Pública Dagoberto Oliveira
Política Nacional de Humanização – Ministério da Saúde
Coordenação: Carolina Eidelwein

A Educação Permanente e a Interdisciplinaridade
                      (Faculdade de Educação - Sala 101)
Pedro Jose Cruz
Articulação Nacional de Extensão Popular
Liane Righi
CESNOR/UFSM– Palmeira das Missões
Marcos Vasconcelos
Articulação Nacional de Extensão Popular
Coordenação: CIES ESTADUAL



15h30

Cofee Breack – Faculdade de Educação Sala 101




16h00

Experiências Nacionais em Educação Permanente em Saúde
Região Norte – (Auditório da Faculdade do Direito)
Coordenação: CIES ESTADUAL
Região Sul – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES ESTADUAL





17h00
Experiências Nacionais em Educação Permanente em Saúde
Região Nordeste – (Auditório da Faculdade do Direito)
Coordenação: CIES ESTADUAL
Região Sudoeste – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES ESTADUAL





18h00

Experiências Nacionais em Educação Permanente em Saúde
Região Centro - Oeste – (Auditório da Faculdade do Direito)
Coordenação: CIES ESTADUAL
Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Região Macro Metropolitana – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES ESTADUAL





Horário

10 de Novembro
 Faculdade de Direito – Auditório
Tenda ANEPOP
 Faculdade de Educação – Sala 101

08h30

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R    I
O   D
C   E
A    I
N   A
D   S
          O    

Estágios de Vivências “VER-SUS”, Experiências e Perspectivas.
                         (Faculdade de Direito - Auditório)
Alcindo Ferla
Coordenador da Rede Unida
Alexandre Ramos
Departamento de Atenção Básica - Ministério da Saúde
Odete Messa Torres
UNIPAMPA
Lairton Bueno Martins
COSMUS/CESNORS-UFSM
Coordenação: Jorge Senna






10h30

T    
      R    I
      O   D
      C   E
      A    I
      N   A
      D   S
O    

Cultura em Saúde: “Arte, Saúde e Cuidado”
                           (Faculdade de Direito - Auditório)

Patricia Dorneles
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Jose Carlos da Silva
Gestão do Trabalho e Educação na Saúde – Sec. Estadual da Saúde da Bahia
 Coordenação: Viviane Brambilla Stroher

 A Educação Permanente e Eqüidade em Saúde
                         (Faculdade de Educação - Sala 101)

Reginaldo Chagas
Departamento de Apoio a Gestão Estratégica e Participativa – Ministério da Saúde
Jurema Pinto Werneck
Articulação de Mulheres Negras – Conselho Nacional de Saúde
José Ivo Pedrosa
Universidade Federal do Piauí
Coordenação: Daniele Trevisol



13h30



Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Macro Missioneira – (Faculdade de Educação - Sala 101)
Coordenação: CIES Estadual


14:30

Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Macro Vales – (Faculdade de Educação - Sala 101)
Coordenação: CIES Estadual


15:30

Cofee Breack – Faculdade de Educação Sala 101


16h00

Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Macro Sul – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES Estadual


17h00

Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Macro Centro - Oeste – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES Estadual

18h00

Experiências Regionais em Educação Permanente em Saúde
Macro Serra – Norte – (Faculdade de Educação – Tenda ANEPOP)
Coordenação: CIES Estadual



Horário
11 de Novembro

 Escola de Saúde Pública - Auditório
Av. Ipiranga, 6311


08h30
12h00

Reservado Encontro Estadual CIES
 Aguardar Programação


13h30
18h00

Reservado Encontro Estadual CIES
 Aguardar Programação

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Maconha e a comunidade acadêmica


Por que o corpo docente da USP não se manifesta na forma de um abaixo-assinado contra a continuidade da proibição e perseguição ao uso da maconha no país?
Por Henrique S. Carneiro, no DAR – Desentorpecendo A Razão
A tentativa de prisão de três estudantes pela PM na FFLCH e a reação dos seus colegas em sua defesa é um episódio revelador das muitas contradições que existem em nossa sociedade.

Quebrando tabus da cortina de fumaça


Estudantes da USP que resistiram à ação policial pelo direito de fumar maconha não estão em busca de privilégios: a mobilização é pelo fim da militarização e do proibicionismo dentro e fora do campus
É inquestionável que 2011 tem sido um ano politicamente intenso. Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Espanha, Portugal, Grécia, Itália, Chile, Estados Unidos, são inúmeros os exemplos de populações se levantando contra ditaduras políticas e econômicas. Guardadas as devidas proporções, no caso do debate específico sobre as drogas também podemos considerar o atual ano como marcado pelo ascenso.

lançamento: ESTRATÉGIAS BIOGRÁFICAS - biografema com Barthes, Deleuze, Nietzsche & Henry Miller

Amigos e Amigas:
meu livro ESTRATÉGIAS BIOGRÁFICAS - biografema com Barthes, Deleuze, Nietzsche & Henry Miller
já está na 57 Feira do Livro de Porto Alegre, no estande da Editora Sulina. 
Para quem for dar uma passada pela feira, procure pela SULINA que lá o ''rebento'' estará!
No mais, nem preciso dizer da alegria em recebê-los dia 12 de novembro - sábado - 18:30
na Sessão de Autógrafos - detalhes no folder em anexo!
Momentos felizes precisam ser compartilhados! 
saludos,
Luciano Bedin da Costa
Exiba FLYERWEB.jpg na apresentação de slides

A fenomenologia da infância e a criança mundocentrada


Habitantes do mesmo mundo, adultos e crianças o vivenciam e o apreendem de modos distintos. Nos seus Cursos da Sorbonne, Merleau-Ponty analisa a infância sob um prisma existencial, assinala Marina Marcondes Machado

Por: Márcia Junges

A criança não é egocentrada, mas mundocentrada. A ideia, tributária a Merleau-Ponty, concebe a infância de modo existencial a partir de um descentramento. O adulto é “destronado” do centro, assim como as teorias do desenvolvimento que criou. A ponderação é da psicóloga Marina Marcondes Machado, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. De acordo com a pesquisadora, o ego da criança “não se encontra formado, desenhado, é, antes, esboço a ser completado, banhado, vestido e acalantado. É na outridade, na relação eu/outro, que a corporalidade, isto é, a relação eu/corpo se desenha. E o corpo próprio, acompanhado pelo outro, encontra-se no mundo: adultos e crianças habitam o mesmo mundo, diferem apenas no modo de viver nele, de apreendê-lo”. Essas ideias são originárias dos Cursos na Sorbonne, ministrados por Merleau-Ponty entre os anos de 1949-1952, quando faz uma fenomenologia da psicanálise e propõe um outro olhar sobre a infância – o olhar culturalista. Conforme Marina, “o mote da fenomenologia da infância é deixar a criança ser o que ela é, sem nunca deixá-la à deriva”. E alerta, inspirando-se no termo “antiestruturas”, cunhado pelo antropólogo Victor Turner: é preciso que as “crianças vivam suas infâncias de maneira onírica, polimorfa, não representacional, a seu tempo, como é seu direito”.
Pesquisadora das relações entre infância e cena contemporânea, formadora de professores de teatro e docente na Escola Superior de Artes Célia Helena, Marina Marcondes Machado é graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, e mestre em Artes pela Universidade de São Paulo – USP com a dissertação Cacos de infância/nascimento, vida e morte da personagem criança em roteiros de improviso. Na PUC-SP cursou doutorado em Educação com a tese A flor da vida – sementeira para a fenomenologia da pequena infância, e é pós-doutora em Pedagogia do Teatro, pela USP, com a pesquisa Territórios do brincar. De sua produção bibliográfica, destacamos O brinquedo-sucata e a criança/A importância do brincar – Atividades e Materiais (5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1994); A poética do brincar (2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1998); Cacos de infância/teatro da solidão compartilhada (São Paulo: Fapesp/ Annablume, 2004) e Merleau-Ponty & a Educação (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2010). Confira a entrevista.

o renascimento do parto

flecheira.libertária.225


polícia...
Na semana que passou, policiais civis que patrulham a USP prenderam três rapazes que levavam consigo maconha. Atentos ao que acontecia, colegas intervieram e entraram em confronto com os polícias que responderam com bombas de gás e tiro para o alto. Os estudantes foram levados para dentro da Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas e, de lá, recapturados pela polícia. Alguns professores e alunos da USP, indignados com a violência e a presença da polícia, protestaram.
baseados na mediocridade
Diante do ocorrido na USP, não faltou o oportunismo conservador e canalha de especialistas que defendem a presença da polícia no campus da universidade. Um ex-reitor, secretário de inúmeros governos desde o final dos anos 1980, escreveu no jornal de domingo que a rejeição dos estudantes aos fardados é ultrapassada. Segundo ele, tal rejeição fazia sentido nos anos 1970, época em que a presença da polícia impedia a realização de discussões mais progressistas e “havia maus tratos contra alunos, até casos de tortura”. Entretanto, para o amancebado da ordem, a presença da polícia agora é imprescindível para garantir o que denominou de “segurança física” dos estudantes. O que o ex-reitor finge desconhecer é que em qualquer instante e espaço, quando e onde há polícia não cessa a violência. Onde há polícia permanecem as torturas. Quando há polícia não há ar, palavras e silêncios. Não são poucos os que fazem coro ao ex-reitor. São muitos os que se pronunciam baseados na mediocridade.
é sempre bom lembrar 
Em 2009, décadas depois do ocaso da ditadura militar, a polícia retornou a exercitar-se sobre os estudantes. Na ocasião, entrou na USP mais uma vez sob a alegação de dar cabo de manifestação estudantil. A presença da polícia no campus sempre foi insuportável para existências vibrantes. A polícia segue insuportável para quem pesquisa e vive animado pelo fogo da liberdade. Diante do podre estado das coisas, em breve, algum estudante reclamará à polícia: quem roubou o meu vibrador?