sábado, 15 de maio de 2010

DIVULGAÇÃO: Red Por Tí América

Para continuarmos tecendo pontos de nó na rede incondicional de nossas intenções, aí vai a divulgação do sítio da Rede Por Tí América: http://www.redportiamerica.com/ e a seguir, a sua apresentação, lembrando antes, que esse é um espaço que se propõe ao fortalecimento da "solidariedade internacional e informação alternativa na luta antimperialista e no apoio à integração da América Latina".
"Estimados compañeros,
Mis queridos hermanos en la construcción de eso mundo más justo, mas fraterno,
Avaluando la amplitud de los esfuerzos que en esos 04 ultimos años hemos desarrollado, (en verdadera RED de informaciones, de rápidas comunicaciones), nos damos cuenta de qué ya avanzamos en nuestra lucha, es decir, ya hemos superado importantes fronteras hasta las tan dificiles fronteras producidas por nuestros distintos idiomas…
Ya hemos logrado nos reunir en actividades cuadradas en más de 40 ciudades (en 23 países) en esto año de 2007 (que ya se despide de nosotros). La suelta de las 05 palomitas blancas en septiembre,(por los cinco compañeros cubanos) fue un buen ejemplo de nuestra capacidad de coordinación frente a ideales de justicia.
Ya nos conocemos, ya nos respetamos y cada uno de nosotros se ve como hermano en la lucha, en la solidaridad juntamente con todos los compañeros que en estos pócos (péro muy intensos) años nos fuimos sumando en las labores desarrolladas en RED DE SOLIDARIDAD POR CUBA.
Ya nos vemos listos para la necesaria ampliación de la lucha por la construcción de la Gran Pátria , eso ya es muy claro.
Somos muchos los que, desde nuestros países, nos comunicamos com los compañeros de los países vecinos (incluso com varios países en Europa) y al diário, intercambiamos informaciones sobre la lucha por la integración latinoamericana. Firmamos cartas de apoyo, cartas de repúdio, cartas de adhesión…
Hemos exigido protección a alcaldes, diputados, presidentes (para compañeros en diferentes actividades y países, marchando por el derecho a la vida, por justicia, por la liberación de presos políticos, por la búsqueda de familiares desaparecidos, compañeros secuestrados, etc…)
No nos callamos en el 2007, al revés, nos levantamos y gritamos juntos en distintos idiomas…
Ya son muchos los Comités, Circulos Bolivarianos, Asociaciones de Solidaridad, Centros Culturales, Redes de Informaciones Nacionales y Internacionales , con quienes intercambiamos informaciones, producimos recolección de firmas, cuadramos actividades en várias ciudades de muchos países de América Latina , Caribe, Europa…
En eso entendimiento, el año que se acerca, el 2008, hay de ser un año de más avances! Debemos nos acercar más aun y abrazar sin fronteras los obyectivos que nos hacen hermanos.
Estamos listos para cuadrar algunas actividades internacionales de apoyo a lucha de todo nuestro pueblo Latino Americano y Caribeño por condiciones humanas de vida, por el respeto al derecho a alimentación, salud, habitación, educación, seguridad, libertad…
Les invitamos a todos ustedes, queridos compañeros, a participar de la construcción de una gran Red de comunicación , de producción y apoyo de actividades para fortificar la lucha por la integración de esa nuestra Gran Pátria América.
Otro mundo és posible,/ Mejor sí…/ Un mundo diferente,/ Un mundo que no tenga miedo de toda su gente…”

sexta-feira, 14 de maio de 2010

TAZ - Zona Autônoma Temporária

Estou partilhando aqui, uma das anarco-leituras que tem ocupado meus olhos e meus pensamentos: TAZ - Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bey. É um escrito fundamental para quem persegue os caminhos do entendimento sobre o mundo que herdamos e que está encalacrado em nossas existências, assim como, os caminhos da construção de uma outra possibilidade de mundo!

terça-feira, 11 de maio de 2010

De quê família falamos hoje?

Estou divulgando o texto-base (em movimento) para minha participação no FSEA 2010 - Fórum Social, Econômico e Ambiental, a realizar-se em Panambi/RS, nos dias 14, 15 e 16 de Maio de 2010 - http://www.fsea.com.br/.
Painel 2: Tema – Resgate da Família como Base da Sociedade Contemporânea
De quê família falamos hoje?¹

“O planeta Terra vive um período de intensas transformações técnico-científicas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite, ameaçam a vida em sua superfície. Paralelamente a tais perturbações, os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração. As redes de parentesco tendem a se reduzir ao mínimo, a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia, a vida conjugal e familiar se encontra freqüentemente ‘ossificada’ por uma espécie de padronização dos comportamentos, as relações de vizinhança são reduzidas a sua mais pobre expressão...(...) É a relação da subjetividade com sua exterioridade – seja ela social, animal, vegetal, cósmica – que se encontra assim comprometida numa espécie geral de implosão(...) O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre esse planeta(...)” (Félix Guattari)².

Sou do tempo em que se ensinava calar e que eu deveria, assim, aprender; em que não se podia cantar e nem o olhar dos olhos erguer; em que era proibido poetar, escrever e se alegrar; em que criança não se metia nas conversas dos mais velhos; em que criança devia trabalhar desde cedo e se um tempo sobrasse, lhe era concedido brincar; em que, quem não sabia ler as palavras dos livros, era analfabeto; em que espancamento, tapa, relhada e chinelada, significavam educação; em que, às gentes, não era dado pensar; em que a opressão era a única força em vigor... hoje já não calo e sei que posso mostrar que ninguém deve calar/ que ninguém deve calar, sossegar, aquietar, ancorar a vida no porto quieto do silêncio... hoje sei que as cores do mundo não são as cores que me ensinaram a ver... hoje sei que ali onde o som faz acorde, mora a possibilidade da canção, pois sei que podemos romper com as amarras que nos foram colocadas. Uma outra possibilidade de vida e de mundo, depende disso.
Digo isso, para trazer, inicialmente, um escrito produzido a partir da fala de uma pessoa sofrida/abandonada... é uma fala que sempre pulsa e faz pulsar meus pensamentos: “quando criança e até a adolescência, sofri toda a violência que minha mãe herdou de sua história de vida (filha de imigrantes alemães, economica, social e humanamente dilacerados). Naquele tempo de infância, materialmente nunca me faltou nada. Meu pai me bateu fisicamente somente duas vezes na vida... numa, por querer ficar morando com uma família com a qual eu me sentia acolhida e noutra, por ter me descuidado em minhas traquinagens e ter me acidentado quase que fatalmente... mas o silêncio do meu pai durante a vida, doeu tanto quanto as surras que levei de minha mãe.// Quando adolescente, moldei um sonho que iria pautar todos os instantes e todos os passos de minha vida: coloquei-me como ideal de vida, tornar-me um grande ser humano e não aquilo que estava se formatando para minha existência.// Queria ser uma grande pessoa: solidária, ética, justa, suave, fraterna, humana... algo que significasse GENTE”³.
Trabalho, cotidianamente, com pessoas que hoje sofrem psiquicamente por terem sido calcadas pelo abandono e pelo descuido dos adultos, vindas tanto de agrupamentos familiares tradicionais-conservadoras, quanto de novos formatos de agrupamentos familiares. Por isso minha fala vem marcada por essa questão, assim como, apresentei o relato acima, visto que penso que temos o dever de oferecer para as crianças e os adolescentes, não a dor que os faria passar a vida toda como seus reféns ou lutando para superá-la, mas sim, as condições de possibilidades para irem se constituindo, desde sempre, em grandes seres humanos!
Penso que somos, enquanto sujeitos, atravessados e produzidos pelas questões sociais, e é a referência que, enquanto comunidade/enquanto socius, mostramos aos nossos filhos, que ajudará a dar o rumo de suas vidas! Anoto, aqui, “que o desejo investe primeiramente em um campo ou formação social” e que “os investimentos sociais são primeiros em relação aos investimentos familiares, os quais derivam daqueles (...) que há uma determinação anterior à família no tocante ao investimento de desejo(...) a família é um corte ou um estado do campo social tomado em seu conjunto. A família seria apenas um cruzamento, uma conexão de rede e não um interior: antes de sermos membros de uma família, somos membros de uma formação social. Assim, a família não é determinante, mas determinada. Ela é um ponto de intersecção de comunicação do campo social. O investimento familiar constitui somente uma dependência ou uma aplicação dos investimentos inconscientes no campo social”4.
De quê família falamos hoje? Coloquei-me essa interrogação como ponto de perspectiva para este escrito-devir, pensando sobre qual seja o desenho de família ou de agrupamento-familiar a que nos referimos. Não tomo como referência a raiz da família nuclear, mas sim, o rizomático devir das novas formações familiares contemporâneas, portanto, acredito que não se trata de resgatar um modelo que é desenhado numa perspectiva de superioridade ou de cultura dominante, mas sim, de contemplarmos as novas possibilidades que se apresentam. E para dar o retrato desse pensamento, trago as formulações tecidas pelo anarco-pensador Hakim Bey, quando diz: “A família nuclear é a unidade básica da sociedade de consenso (...). A família nuclear, com suas conseqüentes ‘dores edipianas’, parece ter sido uma invenção neolítica, uma resposta à ‘revolução agrícola’ com sua escassez e hierarquia impostas. O modelo paleolítico é mais primário e mais radical: o bando. O típico bando nômade ou semi-nômade de caçadores/coletores é formado por cerca de cinqüenta pessoas. Em sociedades tribais mais populosas, a estrutura do bando é mantida por clãs dentro da tribo, ou por confrarias como sociedades secretas ou iniciáticas, sociedades de caça ou de guerra, associações de gênero, as ‘repúblicas de crianças’ e por aí adiante. Se a família nuclear é gerada pela escassez (e resulta em avareza), o bando é gerado pela abundância (e produz prodigalidade). A família é fechada, geneticamente, pela posse masculina sobre as mulheres e as crianças, pela totalidade hierárquica da sociedade agrícola/industrial. Por outro lado, o bando é aberto – não para todos, é claro, mas para um grupo que divide afinidades, os iniciados que juram sobre um laço de amor. O bando não pertence a uma hierarquia maior, ele é parte de um padrão horizontalizado de costumes, parentescos, contratos e alianças, afinidades espirituais etc. (A sociedade dos índios norte-americanos preserva até hoje certos aspectos dessa estrutura).// Muitas forças estão trabalhando – de forma invisível – para dissolver a família nuclear e resgatar o bando em nossa própria sociedade da Simulação pós-Espetacular. Rupturas na estrutura do trabalho refletem a ‘estabilidade’ estilhaçada da unidade-lar e da unidade-família. Hoje em dia, o ‘bando’ de alguém inclui amigos, ex-esposos e amantes, pessoas conhecidas em diferentes empregos e encontros, grupos de afinidade, redes de pessoas com interesses específicos, listas de discussão etc. Cada vez mais fica evidente a armadilha, um ralo cultural, uma secreta implosão neurótica de átomos rompidos. E a contra-estratégia óbvia emerge de forma espontânea na quase inconsciente redescoberta da possibilidade – mais arcaica e, no entanto, mais pós-industrial - do bando”5.
Pensar na exaustão de um dado modo de agrupamento familiar e na constituição dessas novas possibilidades que vemos cotidianamente se constituindo, implica em considerar que a sustentabilidade humana funda-se no princípio da valorização, antes de qualquer coisa, das condições humanas de vivência/ do existenciar a vida e não na conjugação de esforços para tornar mais vigoroso o sistema que faz vigorar sobre a vida e sobre as vidas, idéias e valores que desprezam as gentes. O sistema e o ideário capitalístico, que usurpa e corrói a vida, não vem de hoje, visto que já se iniciou quando o bicho-homem deixou de usufruir dos recursos da natureza e passou a explorá-los.
Onde quero chegar com isso? No ponto da questão do agrupamento familiar como condição de promoção da vida. Quando coloco o prefixo BIO na frente nas noções e dos conceitos que vigem sobre as existências, não estou seguindo um modismo acadêmico ou político/social, nem apenas subvertendo valores, mas sim, colocando a vida como condição básica do existenciar humano no mundo, portanto, proponho que falemos de agrupamentos BIO-familiares e do que possa nos mover para essas questões.
Não quero, com isso, propor fórmulas e nem parâmetros de pensamento ou reflexão, mas sim, tomar os elementos que temos assistido na vida das gentes e na vida das comunidades - os quais apontam a degradação do sistema que herdamos e perpetuamos - e, poder, a partir deles, desenhar o rabisco de uma outra possibilidade de vida e de mundo.
A construção de agrupamentos BIO-familiares depende da construção de BIO-existências, BIO-éticas, BIO-estéticas, BIO-políticas, entre muitas outras BIOS, e, para isso, é necessário que as gentes que emergem no mundo - que nascem e vivem -, possam ir se fazendo de uma outra forma, que não as únicas duas que são reconhecidas por suas linhas mais precisas. E quais são essas duas formas? Uma: a reafirmação permanente dos valores pautados pelo ideário capitalístico; outra: o existenciar da vida como condição de sobrevivência. As duas são produtoras de violência: uma, pela opressão e dominação, e, outra, pela necessidade de enfrentamento para que se possa re-sistir e existir... é essa condição que o sistema dominante reconhece efetivamente como violento – e não o que ele próprio faz imperar -, pois a força da reação e da resistência, coloca o princípio da vida de frente com a violência da opressão-dominação.
Hakim Bey, citando Renzo Novatore, nos mostra que sempre há de existir um sistema a vigir sobre nossas existências, ou seja, “Qualquer sociedade que você construir terá seus limites”6, mas quando pensamos e falamos em outras possibilidades de mundo e de existenciar o mundo, pressupõe, antes de mais nada, pensar em outras possibilidades de gentes... gentes fundeadas numa BIO-ética do cuidado de si e do cuidado do outro.
A BIO-ética do cuidado visa não a uma condição acomodatória dentro das normas dominantes, mas sim, à valorização do SER em detrimento do TER. A BIO-ética do cuidado requer que olhemos, que visemos essa outra possibilidade de gentes, de que falo... de gentes que não sejam exploratórias, predatórias, segregatórias, discriminatórias e opressivo-dominadoras, mas sim, cuidadoras, solidárias e libertárias... a BIO-ética do cuidado pressupõe a vida por excelência, como prática de liberdade.
Trago isso, para que não nos extraviemos da criança que nos habita... como já disse: para que as nossas crianças não tenham como marcas de vida, o sofrimento e a dor e que, assim, não tenham medo de viver... para sublinhar com muita tinta, que a vida não é só isso, não pode ser só isso: só tristeza, só crueza, só dureza, só verso sem rima, só letras jogadas ao vento, desprendidas das páginas ainda grudadas de livros antigos que aguardam para serem lidos. A vida não pode ser só isso!... para que possamos pensar em agrupamentos familiares que queiram garantir não uma normalização e um governo da vida, mas sim, o necessário, ou seja, a vida por excelência, enquanto prática de liberdade!
Para isso, cabe sublinhar a questão do desejo como aquilo que move as gentes e que as faz produzir um ou outro movimento existencial, humano ou social: “O desejo está relacionado às formas de existência e também aos códigos do Socius. Ele não tem por objeto pessoas ou coisas mas uma maneira de ser, e não pode ser definido com base nas noções de falta e carência. Numa concepção nietzschiana, o desejo é pensado como um efetivar-se, como uma força que internamente quer crescer e transbordar. Ele é desejo de si, crescimento.O desejo é desejo de uma forma de ser e de uma forma de relação ou forma de sociabilidade(...) O primado do campo social como termo de investimento do desejo define os estados pelos quais um sujeito passa, o que os autores chamam de devires, mas que podemos entender por metamorfoses(...) Para Deleuze e Guattari, a família não é a matriz das relações. O pai e a mãe e o eu se relacionam com os elementos da situação histórica e política: o soldado, o ladrão, o patrão. A família não é um microcosmo nem descentrada. (...) Os pais serão pensados como agentes na corrente de um processo que os transborda de todas as partes e que coloca o desejo em contato com uma realidade histórica e social”7.
O Socius, a sociabilidade, tomado por Deleuze e Guattari como efeito no campo do registro dos elementos presentes na relação entre desejo e formação social, é que determina os processos de produção da subjetividade, pois “Registrar é o mesmo que inscrever, distribuir e ‘referenciar’. E referenciar, aqui, se dá em relação aos códigos dessas formas de sociabilidade. Os códigos sociais moldam, soldam, articulam, ligam, combinam” e é o sujeito/ são as gentes que, atravessadas pelas coisas do mundo/ do socius, atravessam o socius e refazem as coisas do mundo... ou apenas as reafirmam!
Deixo a provocação para que possamos, enquanto nômades da existência, que não se limitam à territorialização da vida nos liames de uma pretensa superioridade dos acomodados-sedentários, nos desterritorializarmos e produzirmos a reterritorialização enquanto outra possibilidade de gentes, de agrupamento familiar e de mundo... desde que esse seja o nosso investimento e nosso desejo de pensarmos e produzirmos outras maneiras de viver, daqui em diante, sobre o planeta Terra!

1. Maria Luiza Diello – Psicóloga – Graduada em Psicologia, Especialista em Ciência Política e Mestre em Filosofia. Atuando profissionalmente na Secretaria Municipal de Saúde/ Cruz Alta/RS e em Espaço Privado.
2. GUATTARI, Félix. As Três Ecologias. São Paulo: Papirus, 1990.
Impedida de citar a fonte.
3. Tomo, aqui, a leitura de Jairo Dias Carvalho, do anti-Édipo, de Deleuze e Guattari, Em: CARVALHO, Jairo D. O anti-Édipo – O social e o desejo em Deleuze e Guattari. Em Revista Mente, Cérebro e Filosofia – N. 6. São Paulo: Duetto Editorial, 2007, p. 88-93.
4. BEY, Hakim. TAZ – Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2001. – (Coleção Baderna), p. 23-4.
5. Em: BEY, Hakim. TAZ – Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2001. – (Coleção Baderna), p. 82.
6. CARVALHO, Jairo D. O anti-Édipo – O social e o desejo em Deleuze e Guattari. Em Revista Mente, Cérebro e Filosofia – N. 6. São Paulo: Duetto Editorial, 2007, p. 88-93.
7. CARVALHO, Jairo D. O anti-Édipo – O social e o desejo em Deleuze e Guattari. Em Revista Mente, Cérebro e Filosofia – N. 6. São Paulo: Duetto Editorial, 2007, p. 88-93.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

DIVULGAÇÃO: DIREITOS JÁ

Aí vai a divulgação do escrito de Marcelo Carneiro da Cunha: DIREITOS JÁ
Aleluia, estimados leitores! Pois não é que o mundo deu um salto pra frente nessa semana? Enquanto todos ficavam ligados na reunião do Copom para aumentar os juros, ou no Flamengo x Corinthians pra ver quem estava mais fora de forma, com vitória por larga vantagem para Ronaldo, ou embasbacados pela revista Time ter colocado o nosso Lula como a maior personalidade de 2010 NO MUNDO; o STJ concedia a um casal o direito de adotar duas crianças. O que parece a coisa mais saudável, feliz e normal do mundo, a adoção de um filho, foi um momento épico, porque o feliz casal, que finalmente pode adotar os filhos com quem já vivia há sete anos, era formado por mamãe Luciana e mamãe Lidia, duas mães, nenhum pai, no sentido formal do termo.
Assim, já que o Legislativo e Executivo não ajudaram, o STJ fez a sua parte na remoção do entulho, e, agora, casais gays vão poder adotar uma criança.
Claro que no dia seguinte, um padre da CNBB (um especialista em sexualidade, não é mesmo?) e um pastor da Assembléia de Deus (especialista em coisa alguma, não é mesmo?) vieram declarar que sentem muita pena das criancinhas, que agora não vão mais poderem ser órfãs e solitárias, mas poderão ser adotadas por qualquer um com suficiente amor no coração, uma coisa terrível, não é mesmo?
Nada me parece mais maluco do que alegar um suposto conhecimento do que Deus disse sobre algo para justificar uma injustiça. Mas é exatamente isso que padres e pastores adoram fazer, para convencer pessoas a torturar os seus semelhantes. Tortura é crime, estimados leitores. Privar alguém de dormir é tortura e é ilegal. Privar alguém da sua liberdade de ir e vir também é crime. Proibir alguém de amar é o que, na sua opinião? Privar alguém de exercitar o direito de amar uma criança ao ponto de suspender a solidão dela pela duração da sua vida inteira, adotando-a e assumindo essa enorme responsabilidade, é o que mesmo?
Eu não sei o que os leitores sabem, mas eu conheci crianças em orfanatos, e posso garantir a vocês que elas não querem nada mais nessa vida do que o que quase todos os que me lêem devem ter a sorte de ter, que são, nada mais, nada menos, do que um pai, uma mãe, vários de cada, o que for, desde que ela possa chamar pelas palavras mágicas, "pai", "mãe", e se sinta cuidada e amada. Uma criança não dá a mínima para a sexualidade da mão que toca a sua testa se ela tiver febre, não está nem aí para o número de pais e mães que venha a ter, desde que ao menos um esteja por perto para a admirar quando ela acertar o gol, tirar uma boa nota em alguma prova, se mostrar uma boa criança, ou simplesmente a sua criança.
Alguns entre vocês podem se preocupar com os eventuais preconceitos que as crianças possam sofrer na escola, no clube, na serra ou no campo, por terem pais gays, e eu vou ter que concordar. Dada a quantidade de intolerância e burrice ainda presentes no nosso mundo, essa é uma real possibilidade e, sim, temos um problema. Mas comparem isso a uma vida solitária para uma criança sem pais ou mães, hetero ou gays, e onde chegamos? Qual o maior problema?
Preconceitos são parte da nossa humanidade. Submeter-se a eles é apenas uma das nossas piores fraquezas. Superá-los é uma prova da nossa capacidade de sermos maiores do que nós mesmos.
Nada me incomoda mais do que os preconceitos abastecidos com doses generosas de interpretações nada generosas de bíblias, ou qualquer outro manual de normas religiosas. Vocês talvez não saibam, mas padres e pastores já usaram os mesmos argumentos para justificar a discriminação contra os indígenas, contra as mulheres, contra os judeus, contra os negros. E eles estiveram errados SEMPRE! Hoje, quem aí vai defender a tese de que os indígenas não têm alma, mulheres não podem votar, ou de que os negros são escravos por natureza? Portanto, é óbvio que padres e pastores estão tão errados nesse caso quanto sempre estiveram nos outros, e o preconceito contra os gays é tão estúpido e grosseiro quanto os outros preconceitos foram, antes de serem eliminados do nosso conjunto de crenças pela nossa evolução como sociedade. E, se não bastasse o fato de eu, obviamente, estar certo agora como sempre estou, ainda existe o pequeno detalhe de que temos uma Constituição nesse país, e ela é claríssima quando diz que TODOS os cidadãos são iguais perante a lei.
Ué, todos quer dizer todos, ou alguma outra coisa que pastores e padres não compreendem direito? Todos são iguais. Todos podem casar, adotar, amar, se separar, cuidar dos pais e mães, ser gente, com todos os direitos preservados, e não sonegados. As pessoas têm o direito ao que a lei garante a todos, estimados leitores. E elas têm esse direito, não porque eu ache legal, ou porque eu não ache legal, mas porque sim. E negar esse direito é cruel, e criminoso.
Em um dos maiores livros do mundo, "As Aventuras de Huckleberry Finn", Huck é um menino de rua americano no século 19, que foge em uma jangada de sua aldeia na margem do rio Mississippi, e que, por acaso, ajuda um escravo a fugir junto. No entanto, ele começa a se sentir culpado. O pastor evangélico da sua aldeia passou anos insistindo que ajudar um escravo a fugir era um crime contra Deus, e que quem o cometesse iria para o inferno. Huck, como todo mundo naquela época, tinha muito, mas muito mesmo, medo do inferno.
E então Huck resolve enganar Jim, o escravo, entregando-o à polícia, na primeira cidadezinha que surgir. Mas, ao se aproximar da cidadezinha, Huck começa a lembrar de todas as coisas boas que já viu Jim fazer, começa a pensar no sujeito legal, muito legal, que Jim é. Jim é um amigo! E nesse momento Huck faz a escolha bela, redentora, que eleva o livro para o nível de grande literatura em que ele vive desde então: "Azar", diz Huck, para si mesmo. "Eu prefiro ir para o inferno".
A forma certa de ser divino é ser um bom humano com os demais humanos, estimados leitores, mesmo que isso seja exatamente o contrário do que dizem padres e pastores desumanos.
Pense e seja um Huck você também, porque o rio Mississippi passa sempre em frente à nossa casa. Basta desligar a escuridão e ligar a luz, coisa que qualquer um de nós, mas qualquer um mesmo, pode fazer, e é só fazer. Então, e é simples assim, faça.

30 de abril de 2010 - Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.

domingo, 9 de maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Congressos de Psicologia

Estivemos reunidos, num número de mais de cem Delegados, no Congresso Regional de Psicologia que aconteceu em Porto Alegre/RS, nos dias 30.04 e 01.05.2010, quando discutimos e votamos o conjunto de Teses apresentadas nos pré-congressos realizados no Brasil todo, assim como, escolhemos os Delegados que representarão o Estado do RS no Congresso Nacional, em Brasília/DF, nos dias 03 a 06. 06.2010.
As Teses a serem novamente discutidas e votadas em Brasília, deverão definir políticas nacionais a serem implementadas e / ou reguladas pelos Conselhos de Psicologia, na gestão 2010 - 2013., tendo sido construídas contemplando o seguinte tema, dividido em três eixos:
“TEMA: Psicologia e compromisso com a promoção de direitos: um projeto ético-político para a profissão
EIXO 1: APERFEIÇOAMENTO DEMOCRÁTICO DO SISTEMA CONSELHOS
Farão parte deste eixo as teses que se referem a propostas de organização de formas democráticas de estrutura e funcionamento do Sistema Conselhos de Psicologia. Ele dá sequência a uma série de investimentos que o coletivo de psicólogos faz, há quase duas décadas, sobre o funcionamento do Sistema Conselhos. O desafio de pensar a profissão não pode ser atribuído como uma tarefa de poucos, mas deve ser sempre realizado a partir da consulta e da participação dos psicólogos.
EIXO 2: CONSTRUÇÃO DE REFERÊNCIAS E ESTRATÉGIAS DE QUALIFICAÇÃO PARA O EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Este eixo foi idealizado para contribuir na continuidade da construção de referências e estratégias de qualificação para o exercício profissional nas diferentes áreas, inquietações recorrentes em uma categoria que deve contribuir cada vez mais para diminuir as desigualdades sociais. Princípios éticos norteadores e qualificação técnica são características de um projeto para a profissão que se consolida dia a dia e se fortalece nos espaços de debates, dentre os quais se destaca o CNP.
EIXO 3: DIÁLOGO COM A SOCIEDADE E COM O ESTADO
Este eixo tem por objetivo melhor delinear e refletir sobre as relações da Psicologia com a Sociedade e com o Estado, nas perspectivas da promoção e inserção da Psicologia nas Políticas Públicas e em outros espaços, da aproximação com Movimentos Sociais comprometidos com avanços e da efetivação da promoção de direitos. A dimensão proposta por esse eixo deve levar em consideração a necessidade de projeto coletivo para a profissão, que articule diversos protagonistas no fortalecimento da democracia”. Veja mais em: http://cnp.pol.org.br/
Cabe ressaltar que a participação dos profissionais da Psicologia e a discussão desse temário não ficará situado apenas nas atividades pontuais que justificam a realização de todo esse processo, mas pavimentará os caminhos de nossa profissão nos próximos anos.
Veja o vídeo de mobilização:
">

Romaria... pra cantar!

Romaria, de Renato Teixeira
É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
de gibeira o jiló
dessa vida cumprida a sol
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
A custa de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
se há sorte, não sei, nunca vi
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
Me disseram porém
se eu viesse aqui
prá pedir de romaria e prece
paz nos desaventos
como eu não sei rezar
só queria mostrar
meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida.
Romaria... pra ouvir: http://letras.terra.com.br/renato-teixeira/271363/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

NO RETRATO, O GOZO

NO RETRATO, O GOZO - No dia desse retrato em que pesco um peixe incerto, seu gozo estava em minha coxa e seu orgasmo em minha boca. Águas rolaram, peixes vieram e seu gozo continua em minha coxa, seu orgasmo, quente e intenso, continua em minha boca.

Para 2010!

AINDA EM 2010 - Este foi o meu desejo para o incerto e estranho ano de 2010: Dia desses a poesia bateu em minha porta e feito uma vizinha tagarela, se pôs a me dizer coisas que há tempos meus ouvidos não viam. Convidei-a a sentar e ela, irreverente, retrucou-me que não queria só sentar e tirar um dedo de prosa e sim, descarregar suas coisas e aqui fazer morada. Feito terra dada à função social da existência, arredei meus bancos, limpei a poeira pesada daqueles dias de sizo e abri as portas para que ela voltasse para a casa que sempre fora sua. Resignei-me aos seus encantos. Pedi-lhe provas de que estivesse mesmo vindo pra ficar. Ela, apesar de tagarela, não se fez de rogada e fez uma roda de conversa com aqueles que vieram com ela. Primeiro me veio no meio da noite, no amanhecer de outros dias, me veio o cheiro de laranjeira em flor –esse me entrava pelos vãos das portas e me esfregava no nariz a sua alegria-. E ainda me vieram as rosas em meio ao limoeiro arredio e espinhento –pensei: cruzaram bem!-. Para maior convencimento me vieram os pássaros para fazer morada nas casinhas postiças do jardim –sem contratos, ocuparam as casas e disseram que vieram para ficar-. Pra fechar a apresentação, me vieram as borboletas... primeiro a amarela e depois as outras... nesse dia, sentei e chorei... a vida, enfim, fez as pazes comigo! A vida é isso. Afora a poesia, talvez não nos reste nada.
Hoje, já se vai o maio do ano e olho pra traz, pra ver pra frente e, sorrindo o sorriso da alegria incerta que murmura em minha porta, fico aqui pensando que não sofremos do mal do destino, mas sim da destinação a que somos arremetidos. Tem diferença? Vejo destino como a aposta num rumo absoluto do qual somos reféns e não seres livres, e, em destinação como aquilo a que somos arremessados pelos condicionantes de nossa história pessoal e com relação a que podemos fazer, através da prática da liberadade, a escolha de nossa existência, segundo a via que nos é dada, ou outra que queiramos construir. Acho isso uma poesia bonita que recito todos os dias, feito mantra que me anima e assim, me faz viver, enquanto o mundo gira mais rápido e de um jeito que não sei entender!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Brevíssimos Contos

SONHOS - Aquele olhar me impressionou. Aquele evento corpóreo me impressionou. Olhando-a, esqueci as corretas correições das formigas da língua portuguesa. É como se ali eu poderia falar qualquer coisa... ou também, fazer qualquer silêncio e ela saberia que eu lera em sua presença, a vida, enquanto ela tentava desenhar a morte. Abri até meus sonhos para que ela entrasse... e descobri nesse dia, que não há intimidade maior do que essa de deixar que alguém entre em nossos sonhos... muda pra sempre a vida e o despertar!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Brevíssimos Contos

VIDA - Primeiro, desbotou o sol. Segundo, desbotou a lua. Terceiro, num dia de chuva mansa, desbotou as nuvens. Quarto, quando já estava sem luz nenhuma, cruzando a terceira margem do rio, viu uma réstia curta e rápida respingar no remanso entre as árvores, seu resplendor. Seria um dourado ou um lambari? Pegou pelo rabo a pouca vida que por pouco não lhe escapara, pra sempre, correnteza abaixo.

domingo, 2 de maio de 2010

Resposta a uma miserável provocação!

Dia desses recebi um email do tipo que nem costumo ler, pois retrata uma ignorância humana e social que me bate nos nervos... mas esse, por ter vindo de uma professora universitária e ter uma introdução que parecia ser uma crítica consistente, pensei: deve ser coisa que presta e abri pra ler, mas depois acabei lendo por irritação, pois não me entra na cabeça oca que porto sobre o pescoço, que alguém que tenha formação acadêmica e que trabalhe na formação de outras pessoas, não tenha conseguido, com todo esse conhecimento, olhar e pensar o mundo de uma forma que seja menos precária do que isso que me foi demonstrado.
Nem conferi a exatidão das informações e dos cálculos apresentados. Não defendo governo algum, pois acho que são as gentes que tem que cuidar de suas vidas e não o Estado.
Reproduzirei, logo mais, o dito email, mas antes quero dizer que minha posição pessoal é no sentido de que as políticas públicas de cunho compensatório acabam alimentando, muitas vezes, o clientelismo humano e político, mas, apesar disso, são elas que garantem que se possa resgatar a dignidade das gentes enquanto se tenta construir as condições de protagonismo e autonomia... é claro que isso muitas vezes passa batido, mas só quem já passou fome sabe o que é não ter o que comer!
Só quem já ouviu o choro desesperado dos filhos famintos, sabe o que é não ter comida pra aplacar a fome. Só quem tem que sofrer todos os dias o mais radical efeito da devastação capitalística, sabe o que é não ter uma remuneração que garanta inclusão nesse mundo que cobra até pelas coisas que vem da natureza. Só quem vive na miséria material tem palavras pra definir a dor e a tristeza de não ter poesia pra servir todos os dias no amanhecer das gentes. Só quem tem que trabalhartrabalhartrabalhar, parando só pra descansar o corpo e depois voltar novamente a trabalhartrabalhartrabalhar, tendo que muito pouco ganhar, sabe o que não ter comida, não ter gás, não ter transporte, não ter acesso aos bens culturais básicos!
Quem é investidor/ quem é acumulador de capital/ quem explora o trabalho alheio/ quem faz de conta que trabalha e tem boa remuneração/ quem é pensionista do exército e de outros que tais, não sabe o que é não ter comida, não ter descanso, não ter dignidade, não ter acesso às condições básicas de lazer, não ter o pouco de que se necessita pra adquirir as poucas coisas que são precisas para viver!
Aí vai o dito texto, na íntegra:
“Para iniciar a semana, lá vai a vergonha brasileira... Que nojo disso tudo!
ZELADOR QUE PEDIU PARA SER DEMITIDO (QUEM PODE, PODE)
VOCÊ GANHA ALGUMA "BOLSINHA"?PENSE BEM ANTES DE VOTAR!!!!
Interessante e verídico!!!
O zelador de 1 prédio em Natal/RN pediu à administração do condomínio onde trabalhava que o demitissem.
Contou o motivo; tem dois cunhados desempregados, lá mesmo em Natal, e que, por conta da Bolsa Escola, Cartão Cidadão, Cartão Alimentação, Vale Gás, Transporte Gratuito, Vale-Refeição (acreditem - Vale-refeição) e demais benefícios do nosso governo, dadas a título de esmola, vivem melhor que ele.
Aí paramos e fomos fazer umas continhas:
1. Bolsa escola - R$ 175 para cada filho que freqüente as aulas (2 filhos)..... = R$ 350,00 (em dinheiro)
2. Cartão cidadão (cujo intuito é restituir a cidadania)................................ = R$ 350,00 (em dinheiro)
3. Vale gás (um por mês)........................................................................... = R$ 70,00
4. Transporte (calculamos 4 passagens diárias, que é uma boa média) R$8,00/dia x 20 dias= R$ 160,00
5. Vale refeição (um por dia) R$ 3,50/dia x 30 dias x 4 pessoas (ele a Esposa e os dois filhos) = R$ 420,00
Total em dinheiro..................................................................... = R$ 700,00
Total em serviços................................................................... = R$ 650,00
Total mensal ........................................................................... = R$ 1.350,00
Meu Deus!!!! Quanto VC ganha por mês TRABALHANDO????
Obs.1 : O salário do zelador acrescido de horas extras e tudo mais girava em torno de R$ 830,00/mês.
Obs.2: Tudo isso é o estabelecido pela *LEI No 10.836, de 09 DE JANEIRO DE 2004*.
Duvida (?????) , então consulte:
Como o zelador tem três filhos em idade escolar, para ele é vantajoso ficar desempregado e ter esses benefícios. Seu 'salário desemprego' irá girar em torno de R $ 1.525,00, quase o dobro do que ganha trabalhando.
Como diria o Boris Casoy (expurgado da TV por se opor ao Lula, agora na TV BANDEIRANTES): 'ISTO É UMA VERGONHA!'.
Sabe quem paga por isso? 'NÓS', os 'OTÁRIOS'
Distribuir a renda, correto, mas isso é ESMOLA em exagero e o pior com o nosso suor.
Porque você acha que o Nordeste em peso votou no Lula?
PORTANTO MEUS AMIGOS;"Trabalhem duro porque milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você."
AHHH! E agora também vai ter a Bolsa- Celular e a Bolsa Cultura ( R$ 50,00 por mês para irem ao cinema!!!!)!!!!!
REPASSEM URGENTE ANTES DE 2010, AINDA HÁ TEMPO, PARA CORTAR O MAL..."

Esse foi o texto do email e a pessoa não perguntou nele, quem são os otários que trabalham para que os investidores, os acumuladores de capital, os exploradores do trabalho alheio e as pensionistas do exército e de outros que tais, possam ganhar as suas faustosas remunerações! Disso, nós otários sabemos!

sábado, 1 de maio de 2010

Velhas crônicas

ALGUMA COISAS SOBRE O TRABALHO*
Confesso, sem constrangimentos, que prefiro o ócio, o ócio da boa leitura e das noites de sangrentas escritas; o ócio das madrugadas de poéticas escrivinhações; o ócio da boa conversa; o ócio da criação; o ócio das noites de inverno passadas em frente às labaredas, dedilhando ponteio de prosa em versos sem rima transpassados pelos segredos do fogo/ da chama/ da brasa/ da fumaça/ das bruxarias incandescentes, dos descaminhos trilhados por humanos mortais.
Li praticamente nada daquele italiano (Domenico Masi) que saiu pelo mundo falando de suas teorizações sobre o ócio, porque tenho medo de me tornar sua adepta ferrenha e nunca mais conseguir pensar outras coisas que não sejam sobre o ócio e as possibilidades do ócio.
Confesso que trabalho todo o tempo que posso, salvo os descansos necessários, porque tenho medo de me entregar ao ócio das coisas que gosto e nunca mais conseguir voltar ao trabalho das coisas que gosto e das coisas que não gosto.
Trabalho desde tenra idade, mas –e talvez também por isso- não sou feita desse talhe que atribui ao trabalho a condição de dignidade humana.
Veio-se o 1ª de Maio, quando comemoramos o Dia do Trabalho, e junto vem muito mais a pensar e questionar do que a comemorar; junto vem o desemprego crescente; as modificações nas condições e relações de trabalho decorrentes dos descaminhos traçados pelo capitalismo; a exclusão social, a violência, a falta de comida, a falta de moradia, a falta de dignidade e de cidadania; e o aumento da concentração de capital nas mãos de poucos.
Não bastam as garantias legais que já existem, pois a grande maioria dos trabalhadores depende exclusivamente da remuneração que recebe, e diga-se, de passagem, do miserável remuneração que recebe, portanto, mais do que isso, é necessário desenvolvimento social e condições para as pessoas poderem, muito mais do que trabalhar, viver!
É interessante, da perspectiva teórica, observarmos o que é a vida de um trabalhador assalariado que tem que fazer o milagre de sobreviver um mês inteiro com o troco contado, enquanto os grandes ou pequenos acumuladores de capital têm sua principal preocupação situada na forma como poderão ganhar mais, e a lógica de quem acumula capital circula pela via de garantir a estrutura social, econômica e política para atender exclusivamente às suas necessidades, ou seja, não interessa-lhes muito, ou nenhum pouco, a situação social e econômica em que vive a maior parte da população.
A disseminação de valores e concepções instauradas com o processo de globalização econômica e cultural fez, por bem ou por mal, com que alguns conceitos viessem a se tornar circulantes ... circulantes e, veja-se bem, adotados como referência para a economia e para o povo, o que faz com que aconteça a apropriação de modelos construídos em outras situações e lugares, adequando-os à realidade que vivemos – no país/ nas empresas/ no trabalho - sobre a qual, no cotidiano de nossa atuação, muitas vezes não construímos conhecimento.
Isso tudo nos faz pensar nos modelos que copiamos para “melhor atender nosso cliente”, para “melhor administrar nosso negócio”, para melhor vender um peixe que não fomos nós que pescamos!
Isso tudo não é estranho quando ainda se cultua o lucro máximo, o negociante e o comerciante, onde ainda tudo vale o dinheiro que se ganha e o povo, as pessoas, as gentes valem somente o dinheiro que têm para tornar o seu tempo mais rico, onde a maioria daqueles que são ditos empresários não empreende, mas “toca seu negócio à frente” e conta e desconta um capital que não serve para produzir inclusão social.
Além disso, muito pouco se olha para a saúde mental do trabalhador, até porque a lógica capitalista é opressora e precisa, pois é prece de sua cartilha o culto à burocracia e ao deus-chefe autoritário e soberano de seu humor oscilante e dominante sobre o humor de qualquer outro ser humano... e agora está sendo substituída pela máscara da competitividade, do trabalho em equipe, do líder, da qualificação e da era do conhecimento... e pensemos isto partindo das considerações da filósofa Hannah Arendt, sobre o que escreve Jurandir Freire Costa, “Tomando as análises arendtianas do totalitarismo como paradigma de estudo das burocracias; procurei, somente, realçar os traços comuns a todas elas, que são: a anulação do indivíduo; a obediência cega a regulamentos que fazem as vezes da lei, e, por fim, a construção de um mundo social fantasmagórico, regido por ‘forças’ ou ‘ordens’ que emanam de Ninguém, porque são tidas como oriundas da Tradição, da História, da Raça, do Costume, do Estado, ou simplesmente da versão abastardada do destino, que é o ‘não tem jeito’, ‘sempre foi assim e assim continuará sendo’ “.
Por que máscara? Porque quando é necessário produzir o máximo ao menor custo possível, para que se possa vender o máximo ao menor –sic!- custo possível, alguém tem que pagar o preço, então se dá ao operário a ilusão de que o mesmo seja sujeito de sua própria ação e ele dará tudo de si para atingir as metas e objetivos que lhe são colocados como desafio... porque isso é no mínimo mascaramento de toda uma transformação que não aconteceu, e na parte que aconteceu foi parcial.
E, para concluir, falemos da passagem do tempo do fazer, do apertador de parafusos, do burocrata, para o tempo do pensar, do ter que conhecer, do ter que construir conhecimento... quando mal sabemos o que seja conhecimento e, muito menos, construí-lo... como se esse processo partisse do objeto e não do sujeito que o constrói!
E é diante estas e outras questões que o trabalhador sofre... sofre porque tem sua subjetividade aniquilada... como escreve René Kaës “Esse sofrimento, fundado no desenvolvimento incontrolado da angústia, é patológico: nas instituições, como em toda parte, ele paralisa e deteriora inicialmente o espaço psíquico interno, próprio ao sujeito singular, e os espaços comuns e compartilhados dos sujeitos associados nas diferentes configurações do vínculo... nós sofremos pelo fato institucional em si mesmo, inevitavelmente: devido a contratos, pactos, comunidade e acordos inconscientes ou não, que nos unem reciprocamente numa relação assimétrica, desigual, na qual a violência necessariamente é exercida, na qual se experimenta necessariamente a distância entre a exigência e os benefícios esperados. Sofremos com o excesso da instituição, sofremos também com sua falha, com o seu fracasso para garantir os termos dos contratos e dos pactos, para tornar possível a realização da tarefa primária que motiva o lugar dos sujeitos no seu seio”.
Já temos a garantia na Constituição Brasileira, assim como na Declaração Universal dos Direitos do Homem que diz, com muita propriedade e poesia, que "todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. Todo homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. Todo homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. Todo homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses. Todo homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis", mas isso não basta, e também não basta o Estado se tornar um provedor assistencialista ali onde as políticas de inclusão social e de garantias da cidadania estão falhas.
Há muito tempo as pessoas trabalhavam quase todo o tempo do dia e da noite. As legislações foram aos poucos garantindo a redução da jornada de trabalho e hoje essa é uma discussão que está sendo retomada e redimensionada, pois não se trata só de garantir o trabalho, mas principalmente que se possa garantir a vida e a sustentabilidade humana, não para melhor servir ao capital, mas para melhor viver!
* Este é um escrito revisado, publicado, em tempos idos no Jornal Estilo - Cruz Alta/RS. Já avancei em muitas das questões aí formuladas, mas achei interessante retomá-lo para sobrepor ao sombreado dos tempos de hoje.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Contos Desbotados

SAGU COM VINHO*
Era uma hora da manhã quando começou a pensar naquelas coisas, mas tinha a nítida sensação de que pensava naquilo há muito tempo. Primeiro perdeu o sono no exato instante em que se preparava para dormir. Depois sentiu fome. Uma fome desesperadora. Queria comer tudo o que viesse a sua frente, e ao mesmo tempo não conseguia situar nada que pudesse acabar com aquilo.
Na verdade não era fome, mas uma vontade incontrolável de comer alguma que pudesse aplacar aquela ansiedade. Pensou que talvez estivesse ressuscitando o seu já superado alcoolismo. Buscou a garrafa de vinagre e cheirou, mas não sentiu nenhum barato. Procurou, alucinada, a garrafa de álcool, aspirou profundamente, mas também não deu nada. Vasculhou umas bebidas guardadas e pescou uma garrafa de vinho, tinto, seco, bem ao seu gosto (diga-se, de passagem, seu antigo gosto), sacou a rolha e deixou para sentir na taça o aroma daquela bebida aveludada. Quase entrou em êxtase, mas não sentiu nem vontade, nem necessidade de beber. Mas teve certeza de que tinha a ver com vinho aquele seu desejo indecifrável.
Já amanhecia quando abriu mais uma vez a geladeira –que estava abarrotada- e repassou tudo o que havia ali dentro. Por sorte nada provocou a sua compulsão. Nada do que ali estava serviria para aplacar sua imensa necessidade de preencher aquele vazio, aquele buracão que se abriu num repente em seu imaginário, e que parecia, mesmo, que era um buraco aberto em seu próprio corpo/ em seu corpo real.
Não lembrava como havia começado aquele desespero. Pensou em procurar um grupo de apoio. Um grupo de auto-ajuda que pudesse dar conta daquele seu desespero. Mas como haveria de procurar um grupo se não sabia ao menos de que é que se tratava aquele seu estado. Até pegou a Lista Telefônica e se pôs a procurar um psicólogo, um psicanalista ou um psiquiatra que pudesse lhe ajudar... um daqueles que já anunciam na publicidade quais são os problemas subjetivos que atendem e tratam (obesidade, alcoolismo, depressão, ansiedade, compulsão, tristeza mórbida, etc., etc.), mas deixou a lista de lado, porque não sabia do que é que se tratava o seu problema.
Foi procurar outras coisas para fazer, ocupou-se e acabou esquecendo, adormecido, aquele monstro que já de manhãzinha, antes do dia clarear, havia despertado dentro dela. Naquele dia receberia visitas para o almoço. O companheiro retornaria mais cedo porque se comprometera em preparar alguma coisa para a sobremesa, pois os amigos que viriam para o almoço não conseguiam apreciar com tranqüilidade a refeição principal se não tivessem a certeza da iminência do doce e do café passado em coador de pano.
Quando ele chegou, avisou que havia trazido vinho e sagu. Faria sagu com vinho, que rendia mais. Quando ouviu isso, seu corpo se transformou, sua cabeça rodopiou e ela teve a sensação de que havia encontrado o que tanto procurava. Sagu com vinho. Ficou contente por estar com os preparativos para o almoço já adiantados, assim poderia acompanhá-lo na preparação do sagu com vinho. E fez isso em estado de êxtase, já pensando na degustação daquela massa gelatinosa, suspirando com a mistura do aroma do vinho com o cravo e a canela. Depois aguardou, ansiosamente, o momento de comer o doce.
Almoçou pouco, que era para deixar espaço para o que viria depois. Serviu a primeira porção e foi comer sozinha nos fundos da casa, para que ninguém percebesse o que é que se passava com ela. Comeu devagarzinho, sentindo cada porção que colocava na boca. Quando concluiu, já estava mais calma e retornou à mesa com aquela expressão de saciedade, mas ainda serviu tantas vezes pôde, daquilo que podia preencher o seu vazio.
Passado o almoço, começou a sentir necessidade de comer sagu com vinho. No começo o companheiro atendia ao seu pedido de que preparasse o doce, pensando que fosse um desejo bobo, talvez vermes (poderia ser uma solitária autoritária e devoradora), ou talvez uma gravidez ainda não constatada, mas depois percebeu que ultrapassava todos os limites de normalidade. Tinha que comer sagu durante a noite (acordava até três vezes para comer sagu com vinho durante a noite). Tinha que comer sagu com vinho no café da manhã. No lanche das dez. No almoço. No café da tarde. No jantar. Antes de dormir. Nos intervalos entre essas refeições. E ele, que não gostava lá tanto assim de sagu com vinho, às vezes, para acompanhar, tomava uma taça de vinho, às vezes duas, às vezes a garrafa inteira.
Chegou um momento em que sua vida se tornara sagu com vinho. O companheiro já estava assustado... se ele não preparava o doce, ela dava um jeito de conseguir que alguém o fizesse, até que um dia decidiu ter uma conversa séria com ela. Ou se tratava daquele estado de sagu com vinho, ou não teriam mais como manterem o relacionamento.
Ela decidiu que como não teria como encontrar um grupo de auto-ajuda que pudesse lhe auxiliar na superação de seu estado sagu com vinho, montaria o seu próprio grupo. Chamaria alguns profissionais que pudessem dar um suporte técnico ao grupo e depois chamaria para a participação todos aqueles que sofressem por sagu com vinho ou por outra compulsão assemelhada. Sagu com leite. Ou raspa de arroz. Ou pele de galinha. Ou sorvete. Ou café doce. Ou leite condensado. Ou charutinho de chocolate. Ou salada de batata com maionese. Ou tantas outras coisas.
Enfim, nunca descobriu o que é que provocava aquele vazio imenso, mas já estava conseguindo, por mais vinte e quatro horas, passar sem sagu com vinho.
* Escrito publicado no Jornal Estilo - Cruz Alta/RS, em tempos idos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PROGRAMAÇÂO do FSEA - Panambi/RS

ATENÇÃO PARA A PROGRAMAÇÂO DO Fórum Social, Econômico e Ambiental – FSEA 2010 - Responsabilidade e Compromisso de Todos.



Acesse e participe: www.fsea.com.br

PROGRAMAÇÃO FSEA 2010
ABERTURA DO EVENTO: Sexta-feira - Dia 14/05 – Horário: 08:00
- Banda e Pronunciamento das autoridades presentes.
- Visitação aos expositores da FEAP 2010, em seguida abertura dos painéis de debates.
Painel 01 - Sexta-feira - Dia 14/05 – Horário: 09:30 às 12:00 hrs
Tema: SUSTENTABILIDADE GLOBAL - UM NOVO PARADIGMA
1- Prof. Daniel Rubens Cenci (Dr. em Meio Ambiente e Desenvolvimento/UFPR - Mestre em Direito - Professor da UNIJUI - DEJ (Depart. de Estudos Jurídicos))
2- MS Economista Fábio Roberto Moraes Lemes (Unijui/Itecsol)
3- Prof. M.Sc. Enedina Maria Teixeira da Silva (Mestre em Engenharia da Produção/UFSM - Professora da UNICRUZ)
4- Prof. Dr. Jorge O. Cuéllar Noguera (Dr. Eng de produção/UFSC – Coord. Curso pós graduação ambiental/ UFSM)
Intervalo: Almoço – 12:00 às 13:50 hrs
Painel 02 - Sexta-feira - Dia 14/05 – Horário: 14:00 às 17:30 hrs
Tema: RESGATE DA FAMÍLIA COMO BASE DA SOCIEDADE MODERNA
1- Prof. MS Jorge Alexandre da Silva (Coordenador da Itecsol - Unijui/Itedcsol)
2- Prof. Elizabeth Fontoura Dorneles (Dra. em letras/UFRGS - Reitora da UNICRUZ)
3- M. Sc. Maria Luiza Diello (Mestre em Filosofia/UFSM - Psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde de Cruz Alta)
4- Rose Therezinha Kummel (Mestre em educação/PUC/RS – Licenc. plena em letras e literatura/UPF – diretora da sec. Munic. de habitação, trabalho e ação social de Panambi – RS)
5- Marinei Aguiar Aimi (Mestre em geografia – Coord. Pedagógica 36º CRE/RS)
Painel 03 - Sábado - Dia 15/05 – Horário: 08:30 às 12:00 hrs
Tema: O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL SUSTENTÁVEL
1- Luis Carlos Heinze (Deputado Federal e agropecuarista)
2- Prof. Adriano A. Saquet (Prof. Dr. Ciências Agrárias/Alemanha)
3- Prof. Antonio Carlos Valdiero (Pró-Reitor UNIJUÍ/Campus Panambi, Avaliador ad hoc do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP/MEC, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, Mestre e Doutor pela UFSC)
4- Alexandre Batista Scheifler (Assessor de política agrícola e meio ambiente/FETAG RS)
Intervalo: Almoço – 12:00 às 13:50 hrs
Painel 04 - Sábado - Dia 15/05 – Horário: 14:00 às 18:00 hrs
Tema: PASSANDO PELO PRISMA DA ECOLOGIA
1- Prof. Francesca Werner Ferreira (Dra. em Zootecnia, Produção Animal, Piscicultura pela UFSM - Representante da UNIJUI no Forum da Agenda 21 de Ijui e no Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Ijui - Professora da UNIJUÍ - DBQ (Dep de Biologia e Química))
2- Dr. Marcos Eduardo Rauber (Promotor de Justiça e defensor do meio ambiente)
3- Diego da Silva Coimbra (Eng. Agrônomo - Membro da diret. da assoc. Ijuiense de prot. ao ambiente Natural – AIPAN) - (desistência)
4- Dr. João Paulo Bittencourt (Promotor de Justiça e defensor do meio ambiente)
5- Eng. Ivo Lessa Silveira Filho (Eng. Agrôn. - Consultor téc. da Farsul na área ambiental e de rec. hidricos)
6- Eng. Almir J. Rebelo de Oliveira (Eng. Agrôn. e presidente clube amigos da terra de Tupanciretã-RS)
Trabalhos pós último painél
Sábado - Dia 15/05 – Horário: 18:00 às 18:30 hrs
- Definição do Cronograma de elaboração do documento de sugestões de políticas públicas nas áreas sociais, econômicas e ambientais e envio para esferas governamentais, ONG`s, Imprensa e outros;
- Encerramento do Fórum Social, Econômico e Ambiental – FSEA 2010.
ENCERRAMENTO FSEA 2010
FEIRA DE ECONOMIA SOLIDÁRIA, AGRICULTURA FAMILIAR E PEQUENAS EMPRESAS – FEAP 2010
Sexta-feira - Dia 14/05 - Abertura para os Expositores às 6:00 hrs
– Abertura para o Público às 9:00 hrs
– Fechamento para o público às 20:00 hrs
– Após as 20:00 hrs haverá apresentação musical com bandas locais gospel e tradicionais, valor do ingresso 01 kg de alimento não perecivel ou o valor de R$5,00 - (cinco reais)
Sábado - Dia 15/05 – Abertura para os Expositores às 7:00 hrs
– Abertura para o Público às 8:00 hrs
– Fechamento para o público às 20:00 hrs
– Após as 20:00 hrs haverá apresentação musical com bandas locais gospel e tradicionais, valor do ingresso 01 kg de alimento não perecivel ou o valor de R$5,00 - (cinco reais)
Domingo - Dia 16/05 - Abertura para os Expositores às 7:00 hrs
– Abertura para o Público às 8:00 hrs
– Fechamento para o público às 20:00 hrs
ENCERRAMENTO DA FEAP 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Clarice: Um vislumbre do fim

Ainda Clarice, dos extratos colhidos por Pedro Karp Vasquez.
Um vislumbre do fim “Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”

terça-feira, 27 de abril de 2010

Clarice: Viver e escrever

Por esses dias, mais um pouco de Clarice, dos extratos de Pedro Karp Vasquez.
Viver e escrever - “Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.
O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”
“Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Clarice: A descoberta do amor

Ando escrevendo pouco, não por falta de papel, mas por falta de tempo físico... mas sigo com o projeto de ir largando aos poucos do trabalho... isso não significa que não gosto do que faço, mas meu ofício me exige e me toma... poderia me tomar bem menos!
Quando vejo até as paredes escorrendo a saudade da mulher amada... quando vejo seu retrato querendo falar, querendo me dizer alguma coisa... quando seu travesseiro me enlaça e me conforta... olho os raios de sua luz que atravessa minha existência e saio quieta no escuro, pra enxergar melhor a lua-rainha de uma monarquia que só a poesia preserva!
Ando lendo Clarice. Leio desde a adolescência, as suas letras, mas nunca prestei atenção na pessoa de Clarice. Agora que estou lendo uma Biografia sua, escrita por Benjamin Moser (norte-americano!!!), intitulada CLARICE, tenho retomado umas coisas suas e dessas, arranco de uma seleta feita por Pedro Karp Vasquez, um extrato de A descoberta do amor - “[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino. Pois juro que a vida é bonita.”

domingo, 25 de abril de 2010

DIVULGAÇÃO: Simpósio "Direitos Humanos e violência, governo e governança"

V Simpósio da Cátedra Unesco–Unisinos
Direitos Humanos e violência, governo e governança
Tema: Direito à justiça, reparação, memória e verdade.
A condição humana nos estados de exceção
“O que se oculta pelo esquecimento, voltará a repetir-se pela impunidade”
O V Simpósio da Cátedra Unesco- Unisinos de Direitos Humanos e violência, governo e governança tem como tema Direito à justiça, reparação, memória e verdade. A condição humana nos estados de exceção. Os contextos de exceção se impõem para obter o pleno controle da vida humana, em especial daqueles grupos considerados socialmente perigosos. Na exceção, o direito é suspenso e a vida se torna vulnerável, arbitrando sobre ela uma espécie de vontade soberana que rege seu destino. A violência dos estados de exceção tende a se ocultar sob o manto do esquecimento. Contudo, a violência histórica só pode ser neutralizada pela memória do acontecido. Este simpósio pretende debater o III Plano Nacional de Direitos Humanos, assim como a pertinência da criação de uma Comissão Nacional de verdade e Reparação. A memória, para além de qualquer revanchismo, pretende neutralizar o potencial mimético que toda violência esconde, e sem a qual a sociedade brasileira tenderá a perpetuar a barbárie como parte da sua normalidade social.
Comissão coordenadora: Castor M.M. Bartolomé Ruiz (PPG Filosofia, Unisinos)/ Cecília Pires (PPG Filosofia, Unisinos)/ José Carlos Moreira da Silva Filho (PPG Ciências Criminais – PUCRS)/ Fernanda Bragatto (PPG- Direito, Unisinos)/ Solon Viola (PPG-Ciências Sociais, Unisinos)
Data: 17 a 20/5/2010
Local: Auditório Pe. Bruno Hames (área de Ciências Jurídicas), Unisinos
Inscrição: Central de Relacionamento Unisinos (vale 20 horas para atividades complementares)
Investimento: R$ 10,00
Organizadores: Cátedra Unesco Unisinos de Direitos Humanos e violência, governo e governança, PPG em Filosofia Unisinos e curso de Graduação em Ciências Sociais, Direito e Filosofia Unisinos
Patrocínio: CAPES- PROCAD
Apoio: Núcleo de Direitos Humanos/ Grupo de Pesquisa Ética, bioética e alteridade, Unisinos/ Grupo de Pesquisa Direito à Verdade e à Memória e Justiça de Transição, PUCRS/ NEFIPO (Núcleo de Estudos de Filosofia Política)
Programação:
17/5
19h30 - Abertura
Inauguração da Exposição Fotográfica da SEDH na Unisinos: “Direito à Memória e à Verdade”
- Reitor Pe. Marcelo de Aquino/ Castor Bartolomé Ruiz (coordenador da Cátedra Unesco-Unisinos de Direitos Humanos e violência, governo e governança)/ José Luis Bolzan de Moraes (coordenador do PPG Direito – Unisinos)/ Adriano Naves de Brito (coordenador do PPG-Filosofia, Unisinos)/ André Callegari (coordenador Curso Direito)
20h - Tema: O III Plano Nacional de Direitos Humanos e a comissão da verdade no Brasil
Conferencistas: Paulo Vannuchi (Secretário Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República)/ Paulo Abrão (Presidente da Comissão Nacional de Anistia)/ Coordenador-debatedor: José Carlos Moreira da Silva Filho (PPG Ciências Criminais – PUCRS)
18/5
17h - Filme - Batismo de Sangue
Debatedor: André Luiz Olivier da Silva
20h - Tema: A condição humana nos estados de exceção
Conferencistas: Márcio Seligmann-Silva - UNICAMP/ Bethania Assi– PUC-Rio/ Coordenadora-debatedora: Cecília Pires (PPG-Filosofia, Unisinos)
19/5
17h - Filme “Memória para Uso Diário”
Debatedoras: Beth Formaggini e Ana Miranda
20h - Tema. justiça de transição e julgamentos por violação de direitos humanos
Conferencistas: Ivan Marx (Procurador Regional da República no Rio Grande do Sul)/ Luciana Garcia (Advogada da Justiça Global e Conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça)/  Coordenadora-debatedora: Fernanda Bragatto (PPG-Direito, Unisinos)
20/5
17h - Filme “Condor”
Debatedores: Roberto Mader e Jair Krischke
20h - Tema. As lutas da sociedade civil pelo direito à justiça, reparação, memória e verdade
Conferencistas: José Maria Gomes PUC-Rio/ Giuseppe Tosi – (UFPB)/ Coordenador-debatedor: Solon Viola (PPG Ciências Sociais, Unisinos)